Caminhos para um pacto nacional pela infância no Brasil

O futuro de uma sociedade depende diretamente do cuidado dedicado à sua infância, uma realidade concreta que exige atenção constante dos governantes e de toda a população.

O peso histórico na proteção infantil

O histórico brasileiro em relação aos menores é marcado por episódios desabonadores, desde o período colonial, com os abusos sofridos pelos pequenos portugueses nas caravelas, passando pela evangelização forçada dos guaranis e pela exploração dos filhos de escravizados.

Avanços na saúde e os desafios educacionais

Por outro lado, o país registrou progressos expressivos ao longo das décadas, com a queda da mortalidade infantil de 162 por mil nascidos vivos em 1930 para cerca de 12 em 2022, embora o patamar ainda esteja distante da média da OCDE, que é de 4 por mil. No campo educacional, o analfabetismo despencou de 65% nos anos 1920 para cerca de 5% atualmente.

O gargalo da proficiência em leitura

Apesar da universalização do acesso à escola, o exame Pisa demonstra que apenas 49% dos estudantes brasileiros de 15 anos conseguem ler com proficiência, compreendendo ideias centrais e conceitos abstratos, enquanto a média da OCDE chega a 69%. Além disso, apenas 1% dos alunos no Brasil alcançam a proficiência máxima, contra 6% no cenário internacional.

Queda na imunização e a necessidade de inovação

No setor de saúde pública, o país construiu um modelo de referência com o Sistema Único de Saúde e a criação do Programa Nacional de Imunizações na década de 1970. No entanto, o período recente foi marcado por uma lamentável queda na cobertura vacinal e pelo ressurgimento de enfermidades como o sarampo.

Ações urgentes para transformar o amanhã

Para superar esses obstáculos, é fundamental abandonar práticas nocivas como o consumo de ultraprocessados, a exposição excessiva a telas e redes sociais, o preconceito e a apatia ambiental. Em contrapartida, é preciso incentivar a convivência familiar, a prática de atividades físicas, a leitura diária, a restrição de idade para o uso de inteligência artificial e a solidariedade comunitária.

O historiador e religioso português padre Antônio Vieira registrou em 1651, no Sermão das Exéquias do Conde de Unhão – D. Fernão Telles de Menezes, na vila de Santarém: “As nossas acções são os nossos dias; por ellas se contam os annos, por elles se mede a vida: em quanto obramos racionalmente, vivemos; o demais tempo duramos”. O momento de agir pela criança brasileira é agora.

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