Um trabalhador da construção civil de 49 anos percorreu aproximadamente 2,1 mil quilômetros entre Imperatriz, no Maranhão, e Belo Horizonte, em Minas Gerais, motivado pelo desejo de encontrar pessoalmente uma mulher com quem mantinha contato virtual. Ao desembarcar na capital mineira, no entanto, Edimar Rocha Martins constatou que a pessoa que conhecia como Jéssica era, na verdade, uma criação sintética gerada por inteligência artificial, projetada para simular interações reais nas redes sociais.
Promessas falsas e viagem longa
A jornada teve início na sexta-feira (9) e terminou no domingo (11), totalizando mais de 36 horas de deslocamento em busca da suposta dona de uma fazenda mineira, que assegurava que ambos dividiriam o mesmo teto. O engodo foi facilitado por publicações automatizadas em plataformas como Facebook e Kwai, onde o perfil falso simulava afeto e interesse romântico.
A ilusão de um futuro em conjunto foi o gatilho para a empreitada, conforme explicou à Rádio Itatiaia:
“Ela falou assim: ‘Não, você vai morar mais eu aqui na fazenda’. Então, assim, eu digo: ‘Então eu vou’”, contou à Rádio Itatiaia.
Solidão e o desfecho do caso
O impacto emocional da perda da mãe deixou marcas profundas no maranhense, que viu no relacionamento digital uma oportunidade de recomeçar longe de sua cidade de origem. A vulnerabilidade afetiva foi o principal motor da decisão de cruzar o país.
“Às vezes, uma solidão dentro de casa acaba trazendo muito transtorno na vida da gente. Por isso que eu vim atrás dela”, relatou.
Sem recursos financeiros para o trajeto de volta ao Maranhão, o pedreiro contou com o auxílio do Serviço de Atendimento e Acolhimento ao Migrante, órgão vinculado à Prefeitura de Belo Horizonte. Na terça-feira (13), ele embarcou rumo a Araguatins, no Tocantins, município onde nasceu.
Alerta oficial sobre os perigos digitais
Diante da repercussão do episódio, a administração municipal emitiu um comunicado público alertando a população a respeito dos perigos associados a mídias sintéticas. O órgão enfatizou que conversas, fotografias e gravações podem ser inteiramente forjadas por meio de tecnologia, recomendando máxima prudência no estabelecimento de vínculos afetivos virtuais.