Sumico de carga apreendida revela fraude milionária e leva à condenação de seis pessoas em Goiás

O desaparecimento de materiais que estavam sob custódia da Justiça revelou um sofisticado esquema de desvios em Goiás, resultando em um prejuízo estimado em mais de R$ 3 milhões. A fraude consistia no furto de mercadorias, falsificação de documentos e simulação de assaltos para ludibriar seguradoras. Ao todo, seis pessoas receberam condenações que somam mais de 79 anos de reclusão.

Como o esquema foi descoberto

As irregularidades vieram à tona quando o Poder Judiciário solicitou à Polícia Civil informações a respeito de uma carga de vergalhões, madeira e ferro que deveria estar guardada sob a responsabilidade de um depositário fiel. Durante a verificação, os agentes constataram que os itens haviam sumido, o que motivou uma apuração mais ampla que escancarou o desvio sistemático de diversos produtos.

Conduzido pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar), o caso ganhou contornos oficiais por meio da Operação Depositário Infiel. As investigações abrangeram o sumiço de mercadorias variadas, incluindo itens de marcas conhecidas como Mabel, Heinz, Toddy e Italac, além de grandes volumes de etanol e óleo de soja.

Modus operandi e penas aplicadas

Segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), os criminosos comercializavam os produtos subtraídos acobertados por papéis falsificados para simular legalidade. Em algumas ocasiões, motoristas de caminhão participavam da retirada dos lotes e, posteriormente, registravam ocorrências policiais falsas relatando falsos roubos nas estradas.

A Justiça impôs penas expressivas aos envolvidos. Apontado como o chefe da organização, José Leonardo Ferreira Borges recebeu a maior condenação, fixada em 29 anos, oito meses e cinco dias de prisão. Outros integrantes também foram punidos, como Silvio Gonçalves Dutra (22 anos, oito meses e cinco dias), Klenilton Nunes Celestino (11 anos, dez meses e 27 dias) e Victor Hugo Santos de Moura (oito anos, cinco meses e 15 dias), este último apontado como laranja do esquema.

Outras sentenças e reparações financeiras

O processo também resultou na condenação de Augusto Godoi de Melo a quatro anos, 11 meses e 15 dias, e de Afonso de França André a um ano, nove meses e 22 dias, com substituição da pena por restrições de direitos. Outros suspeitos, incluindo familiares do líder, foram presos preventivamente durante as diligências, enquanto quatro acusados acabaram absolvidos pela juíza Placidina Pires, da 1ª Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa, por falta de provas.

Além das sentenças de reclusão, cinco dos réus foram condenados a pagar solidariamente R$ 1 milhão em danos morais coletivos, devido ao impacto negativo da criminalidade na segurança do transporte de cargas. A decisão judicial também determinou o confisco de bens, dinheiro e aparelhos eletrônicos apreendidos ao longo das investigações.

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