Salatiel Soares Correia e a última viagem sem retorno

Existem muitas maneiras de partir pelo mundo, seja para trabalhar, recomeçar a vida ou em busca de novas paisagens. No entanto, em outubro de 2026, o ensaísta e escritor Salatiel Soares Correia iniciou uma jornada sem destino conhecido e sem possibilidade de regresso, deixando uma lacuna profunda na vida de seus amigos e familiares.

A relação com o turismo e o medo de voar

Ao longo de anos, a amizade entre Salatiel e o autor do relato foi marcada por constantes planejamentos de roteiros turísticos. Especialista na área, o colega relembra que o engenheiro e escritor costumava ligar para tirar dúvidas sobre a segurança das companhias aéreas. Salatiel tinha pavor de turbulências, mas sempre voltava das viagens com a bagagem repleta de histórias, ideias e novas descobertas.

Paixão pela literatura, livrarias e planos para a China

Além da formação em engenharia, Salatiel cultivava um profundo amor pelos livros, enxergando a literatura como uma segunda pátria. Ele lia obras clássicas de Shakespeare, Tolstói, Gabriel García Márquez e Jorge Amado. As livrarias eram verdadeiros santuários em seus trajetos; de uma viagem à França, por exemplo, ele retornou com a mala cheia de obras sobre a história e a economia da China, país que planejava conhecer pessoalmente em breve.

Diálogos diários e enfrentamento da saúde

A convivência entre os dois ia muito além dos livros, abrangendo debates diários sobre política, economia e os rumos do mundo, mediados pelo respeito mútuo diante das divergências. Juntos, eles também compartilharam momentos difíceis, como as viagens a Ribeirão Preto para o tratamento de problemas oftalmológicos e de Parkinson, condição que Salatiel enfrentava sem perder a curiosidade intelectual e o interesse pelos avanços da medicina.

A última conversa entre ambos aconteceu logo após o retorno de Salatiel do interior paulista e mineiro, onde ele havia se encantado com uma livraria em São Carlos. O encontro de domingo que fecharia a semana nunca chegou a acontecer devido ao falecimento. Resta agora a saudade, a geografia da ausência e a certeza de que certas jornadas permanecem vivas para sempre na memória de quem fica.

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