A taxa básica de juros voltou a ser o centro de intensos debates econômicos após a repercussão de uma proposta apresentada pelo economista André Lara Resende para derrubar a Selic, o que gerou forte apreensão no mercado financeiro e chamou a atenção do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mudanças estruturais na economia
Conforme artigo escrito pelo próprio especialista, a estratégia envolve alterações profundas na execução das diretrizes fiscais e monetárias do país, planejando uma diminuição paulatina da Selic, que atualmente está fixada em 13,75% ao ano. Um dos criadores do Plano Real em 1994, Lara Resende exerceu os cargos de diretor do Banco Central e de presidente do BNDES durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso. Mesmo sem histórico de militância petista, ele se aproximou de Lula recentemente, chegando a apoiar a campanha de 2022, participar da equipe de transição e recusar o convite para comandar o Ministério do Planejamento.
Nova estrutura de governança
A estratégia formulada pelo economista consiste na instituição de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional com o objetivo de fixar metas integradas para as áreas fiscal e monetária. A meta estipulada no plano é derrubar a taxa de 13,75% para 7,5% ao ano ao longo de um período de doze meses.
Impacto na dívida pública
Para justificar a medida, o especialista sustenta que o peso do endividamento brasileiro, que ronda os R$ 10 trilhões e representa quase 90% do PIB, é impulsionado principalmente pelo custo do dinheiro e não pelos gastos primários da máquina estatal. No período de um ano, o pagamento de juros consumiu mais de R$ 1,1 trilhão. Para mitigar riscos como a desvalorização cambial e o avanço da inflação decorrentes da queda dos juros, o plano sugere o emprego das reservas internacionais.
Apesar da repercussão e da proximidade do autor com o Palácio do Planalto, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, descartou que a adoção de um limite para os juros faça parte das diretrizes oficiais do governo. Por outro lado, analistas e críticos econômicos alertam que reduções forçadas por vias políticas, sem um respaldo sólido nas contas públicas, correm o risco de desvalorizar a moeda nacional, impulsionar a inflação e enfraquecer a autonomia do Banco Central.