A senadora Tereza Cristina (PP-MS) segue firme com sua postulação à presidência do Senado Federal e intensifica a articulação para atrair aliados entre parlamentares do Centrão e nomes dissidentes do PL. A ex-ministra da Agricultura se posiciona para concorrer contra a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP), enquanto também disputa espaço político com Rogério Marinho (PL-RN), que se apresenta como o nome oficial da oposição para o pleito marcado para fevereiro de 2027.
Diálogo na oposição e busca pelo voto feminino
Para viabilizar seu projeto de liderança, a senadora aposta na articulação transversal entre diferentes partidos e na ampliação da representatividade das mulheres na política. O objetivo central é fazer história como a primeira mulher a ocupar o comando da Casa legislativa. Sobre a relação com seu concorrente direto no campo conservador, a parlamentar explicou: “Eu e o Rogério Marinho conversamos muito sobre esse assunto, até porque nós somos do mesmo campo”. Ela completou: “Mas a minha candidatura está mantida e a dele também. Eu quero ser a primeira mulher presidente do Senado.”
Por outro lado, Marinho pontuou que houve entendimentos prévios para evitar um embate frontal, embora os planos individuais tenham sido mantidos. Segundo o senador, “Eu e Tereza temos um acordo entre nós: não seremos candidatos um contra o outro”. Mesmo diante do lançamento oficial da campanha de Marinho pelo PL, a ex-ministra manteve sua postulação e segue avaliando a movimentação do placar para captar novos apoios.
Racha partidário e cálculos para a votação secreta
A corrida sucessória ocorre apesar de a federação União Progressista — composta por União Brasil e PP — ter formalizado apoio à recondução de Alcolumbre. Os presidentes Antonio Rueda e Ciro Nogueira justificaram o alinhamento citando a busca por “estabilidade institucional e o equilíbrio político”. Contudo, a diretriz já sofre contestação interna, a exemplo do senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), que declarou posição contrária ao atual presidente da instituição.
Força das bancadas e projeções incertas
Enquanto o PL projeta usar sua bancada de 28 parlamentares a partir de fevereiro — contando com o apoio de nomes como Flávio Bolsonaro (RJ) e Carlos Bolsonaro (SC) —, a ala de Tereza Cristina aposta na força do Centrão e no crescimento da bancada feminina, que deve subir de 15 para 18 cadeiras.
A disputa secreta agita os bastidores de Brasília com divergências numéricas. Aliados da senadora questionam as projeções do grupo de Alcolumbre e estimam que o atual presidente possui um número de apoios inferior aos 48 votos divulgados por seus interlocutores. Com parlamentares contabilizados simultaneamente em diferentes frentes, o cenário permanece em aberto até a definição no início de fevereiro.