O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, enviou convites a outros magistrados para um evento realizado em Londres em abril de 2024, que contou com o patrocínio do Banco Master. A articulação veio à tona por meio de diálogos obtidos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o jornalista Márcio Chaer, fundador do site Consultor Jurídico (ConJur), veículo responsável pela coordenação do seminário.
Articulação e confirmações no Judiciário
No dia 28 de março de 2024, Chaer relatou a Vorcaro que o magistrado havia entrado em contato com outros membros da cúpula da Justiça. “O Ministro Alexandre realmente mandou whatsApp para os colegas”, escreveu o jornalista. Conforme os registros, Gilmar Mendes atestou ter recebido o chamado, ao passo que Luís Felipe Salomão, integrante do Superior Tribunal de Justiça (STJ), demonstrou entusiasmo em comparecer.
Logo em seguida, o fundador do ConJur repassou um texto atribuído a Moraes direcionado a Gilmar Mendes. O material detalhava que o seminário jurídico-político — agendado para o período de 24 a 27 de abril — tinha o ConJur, o Correio Braziliense e o Banco Master como realizadores, além de prever homenagens ao ex-presidente Michel Temer e ao então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Envolvimento nos preparativos e pedido de omissão
A participação ativa do ministro na organização também foi identificada em outros diálogos examinas pela Polícia Federal. De acordo com a revista piauí, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria repassou a Daniel Vorcaro dados sobre a lista de convidados do magistrado, cujos registros apontavam ainda a anuência de Moraes em relação ao cronograma.
Após tomar conhecimento do teor do convite, Vorcaro solicitou a Márcio Chaer que a instituição financeira fosse retirada do rol de organizadores. “Ideal nos convites nao sair o Banco como realizador do evento, concorda?”, questionou o banqueiro às 16h53. A resposta do jornalista foi imediata: “Sem dúvida”.
Custeio de viagens e convite a autoridade policial
As conversas analisadas não deixam claro se o pedido para ocultar a marca foi acatado pelos promotores. Chaer confirmou que a instituição financiou o veículo jornalístico e pontuou que os debates sobre a lista de convidados integravam as tratativas corriqueiras entre os realizadores e os apoiadores financeiros.
Em 3 de abril, Vorcaro mencionou que um magistrado havia estendido o convite a “andrei PF”, sinalizando uma possível referência ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, embora o autor da chamada não tenha sido nominalmente revelado. No dia seguinte, o jornalista encaminhou mensagens atribuídas a Ana Beatriz, assessora de Rodrigues, que questionava a cobertura financeira dos voos e da hospedagem.
“Todas as despesas bancadas por nós”, respondeu o jornalista na ocasião. Naquela época, a coordenação arcou com os custos de deslocamento dos expositores, mas optou por não divulgar os montantes envolvidos nem os nomes dos apoiadores financeiros do evento.