A promessa de que o Estado deve prover todas as necessidades, liberando o cidadão de preocupações, alimenta a ideia de que a sobrevivência é um direito incondicional garantido por lei. Sob essa ótica, bastaria confiar nas autoridades e desfrutar das riquezas naturais do país.
O mito do bem-estar sem esforço
Nessa visão, o Criador teria nos feito à sua semelhança, mas nos poupado do sacrifício do labor diário. Enquanto a natureza oferece recursos abundantes, o governo passa a ser cobrado por garantir consumo, lazer e conforto, transformando o tempo livre em um novo direito fundamental.
Para sustentar essa lógica, bastaria a vontade política materializada em uma caneta e um pedaço de papel para assegurar a felicidade coletiva. Os defensores dessa visão argumentam que a tecnologia e a modernidade tornaram obsoleta a necessidade do esforço físico tradicional.
O fim do mérito e a ascensão das conexões políticas
A antiga ideia de ganhar o pão com o suor do rosto parece desacreditada diante de uma realidade onde o enriquecimento muitas vezes decorre da proximidade com o poder, superando o estudo e a dedicação pessoal.
O texto aponta um contraste incômodo:
“Enquanto um trabalhador ganha uma merreca mensal, os que não trabalham, mas determinam os ganhos de quem trabalha, ganham milhões. O trabalho honesto, a poupança, o investimento e a vida austera foram abolidos pela nova inteligência.”
Filosofia do presente e o eleitor que aposta no milagre
Filosofias niilistas ajudam a explicar essa mentalidade de gozo imediato. Sem a perspectiva de uma existência após a morte ou de justiça divina, o lema passa a ser aproveitar o presente sem limites ou escrúpulos.
Nesse cenário, o eleitor aposta no milagre, confiando que a farra atual será perdoada no futuro, deixando o presente nas mãos de um governo generoso e o amanhã sob a guarda divina.